Jair Bolsonaro terminou o dia 7 de outubro não só como o dono de um patrimônio político de 49 milhões de votos, mas também como a figura mais influente da política brasileira desde Lula, ao se tornar presidente, em 2002. Na história da redemocratização, nunca nenhum político foi para o segundo turno presidencial dispondo de tantos votos e com tamanha vantagem em relação ao segundo colocado (Fernando Haddad teve 31 milhões de votos). O PSL, partido nanico que elegeu um deputado em 2014 e hoje tem oito, disporá de uma bancada superior a 50 nomes na Câmara Federal, a segunda maior do país, atrás apenas do PT. Os maiores partidos até então (MDB, PSDB, DEM, PP) terão, em média, 30 cadeiras cada um. No Senado, a legenda terá quatro nomes: Flávio Bolsonaro (RJ), Major Olímpio (SP), Juíza Selma Arruda (MT) e Soraya Thronicke (MS). Trata-se de uma bancada que inexistia e hoje está em pé de igualdade àquelas dos partidos tradicionais.

São do PSL os deputados federais e estaduais com maior número de votos: Eduardo Bolsonaro (federal) e Janaína Paschoal (estadual) se tornaram os nomes mais votados da história, com cerca de 2 milhões de votos cada. Eduardo ultrapassou até mesmo o recorde de Enéas, eleito com 1,5 milhão de votos em 2002. Em São Paulo, estado em que a assembleia legislativa é majoritariamente tucana há pelo menos doze anos, o PSL tornou-se dominante, angariando o dobro de votos do PSDB e elegendo quinze deputados. Nos governos estaduais, candidatos do partido se classificaram para o segundo turno em três estados: Rondônia, Roraima e Santa Catarina.

Entre as surpresas desta eleição, como a ida ao segundo turno dos candidatos Romeu Zema (Novo-MG) e Wilson Witzel (PSC-RJ), há também um componente Bolsonaro: ambos desconhecidos e com tempo ínfimo de TV bateram forte no discurso de segurança pública e apelaram para o engajamento na internet. Ambos também declararam apoio ao presidenciável do PSL antes do final do primeiro turno e terminaram as votações com mais que o dobro de votos projetados pelos institutos de pesquisa. O tucano João Doria, cacifado para o segundo turno com 31% dos votos em São Paulo, não teve qualquer pudor em declarar apoio ao deputado do PSL antes mesmo de o cadáver político de Geraldo Alckmin esfriar. (Veja)

 

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