Recebido na manhã desta quarta-feira pelo chanceler Ernesto Araújo, o secretário americano de Estado, Mike Pompeo, declarou que os governos do Brasil e dos Estados Unidos trabalharão juntos contra “regimes autoritários no mundo. Conforme afirmou, o “desejo profundo” de retomada da democracia na Venezuela, em Cuba e na Nicarágua foi tratado nas conversas bilaterais. Pompeo, entretanto, esquivou-se de responder sobre possível ação militar conjunta dos dois países na Venezuela.

“É inquestionável que as Nações trabalham melhor quando elas compartilham valores que as definem. Os povos dos Estados Unidos e do Brasil compartilham valores como Democracia e liberdade. A transmissão de governo que assistimos aqui não acontece em muitas partes do mundo. Na Venezuela, em Cuba e na Nicarágua, as pessoas têm dificuldades para expressar suas opiniões e de contar com governos responsáveis por elas”, desconversou Pompeo durante entrevista conjunta à imprensa no Itamaraty.

Provocado pela imprensa, o chanceler Araújo rejeitou a avaliação de que há tendência de alinhamento da política externa brasileira com a dos Estados Unidos no governo de Jair Bolsonaro. Conforme declarou, o Brasil fará “um alinhamento consigo mesmo, com o povo brasileiro”, e não com outros países. “A relação entre os Estados Unidos e o Brasil é o resultado desse realinhamento (interno)”, afirmou. “O Brasil tem de se colocar como um país grande, que trabalha pelos ideais de seu povo e para gerar oportunidades para ele”, completou o chanceler.

Em entrevista na semana passada, uma autoridade do Departamento de Estado deixou claro que Pompeu tentaria, em Brasília, atrair o Brasil para a estratégia americana para lidar com o regime autoritário de Nicolás Maduro na Venezuela. Também indicou sua intenção de convencer o governo de Bolsonaro a adotar sua agenda de restrição à compra de terras e a outros investimentos por empresas chineses e a manter uma conexão de ambos os países em questões de comércio internacional, mudança do clima e direitos humanos.

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