O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, relatou momentos de tensão que teria vivido nesta quarta-feira (27) durante viagem ao Parque Nacional do Pau Brasil, em Porto Seguro, no Sul da Bahia.

Em conversas com assessores e ministros, Salles contou que manifestantes do Movimento Sem-Terra (MST) e do Partido da Causa Operária (PCO) cercaram o carro em que estava, quebraram peças e subiram no teto do veículo. Ele não sofreu agressões físicas, mas disse que se assustou com o ato de “extrema violência”.

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Em mensagem postada no Instagram, o ministro classificou o episódio como “uma vergonha”. “Na manhã de hoje (quarta-feira), logo após uma bela e comemorativa agenda de concessão ao setor privado do Parque Nacional do Pau Brasil, em Porto Seguro (BA), fomos cercados e atacados por membros do MST e do PCO, que agrediram as pessoas e depredaram viaturas oficiais do MMA (Ministério do Meio Ambiente)”, escreveu ele.

Salles divulgou na rede social um vídeo (assista acima) e algumas fotos, que mostram o vidro dianteiro trincado e uma bandeira do PCO estendida sobre o capô do veículo. Na gravação, postada no Instagram, manifestantes batem no carro em que Salles estava, mas não é possível ver em que momento o parabrisa teria sido quebrado.

Um dos manifestantes exibe adesivo com a inscrição “Fora Bolsonaro. E todos os golpistas” colado no peito. “Golpista. Tira foto, desgraçado! Tira foto”, gritam os manifestantes. Durante o protesto, uma mulher aparece andando com um facão.

O site Causa Operária, ligado ao Partido da Causa Operária (PCO), também divulgou um vídeo no qual um carro do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) tenta passar por um grupo de manifestantes que se encontrava no local. Um homem sobe no capô do veículo e outro manifestante pula na carroceria.

“Relatos denunciam que, ao chegar lá, o carro da comitiva se colocou contra os manifestantes”, diz o site. “Os sem terra reagiram pulando em cima do carro do ICMBio.” De acordo com a nota, cerca de 200 pessoas do MST, PCO, integrantes do movimento indígena e sindicatos foram protestar contra Salles na “cerimônia de privatização” do Parque Nacional do Pau Brasil.

Ministro não estudou em Yale

No último fim de semana, Ricardo Salles foi alvo de ataques na internet por causa de um suposto mal entendido. Diferentemente do informado pela imprensa em diversas ocasiões, o ministro do Meio Ambiente não é mestre em direito público pela Universidade Yale, nos Estados Unidos.

A assinatura de um artigo publicado por Salles em 2012 na seção Tendências / Debates da Folha incluía, em sua biografia, a formação em Yale. A informação foi repetida há duas semanas no programa Roda Viva, da TV Cultura em que Salles foi entrevistado.

O erro foi revelado pelo site The Intercept Brasil no último sábado (23). À Folha de São Paulo, o ministro confirmou que não estudou em Yale e disse que o equívoco foi cometido por sua assessoria de imprensa, que, segundo ele, enviou o texto ao jornal em 2012. A Folha tem a seção Erramos para retificar informações incorretas, mas Salles não procurou o jornal para corrigir o erro.

Em nota, o programa Roda Viva afirmou que a reprodução do equívoco não partiu do ministro, que chegou a alertar a produção sobre a “imprecisão das informações” a seu respeito quando foi requisitado a revisá-las. O alerta foi confirmado pela reportagem, que teve acesso às mensagens trocadas entre o ministro e a produção do canal.

Salles é formado em direito pela Universidade Mackenzie. Ele fez especialização em administração de empresas na Fundação Getúlio Vargas e pós-graduação em direito na Universidade de Coimbra, em Portugal, segundo o site do Ministério do Meio Ambiente.

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