Venho alertando para o risco eminente da criação de um Ministério da Verdade como remédio para um suposto problema com as chamadas ‘fake news’, como se a falsidade nas notícias fosse novidade e justificasse medidas drásticas. Esse temor se concretizou com nomeação do ministro Alexandre de Morais pelo presidente do STF, Dias Tofoli, com mandato para investigar, julgar e punir aqueles que fazem ‘fake news’ contra o Tribunal.

A primeira vítima, porém, foi bem mais notória que eu esperava. O site O Antagonista, reconhecido por produzir jornalismo sério, foi censurado por Alexandre de Morais por matéria que ligava o presidente do Tribunal a sujeira da Odebrecht.

A censura de O Antagonista é um absurdo especialmente qualificado, mas o problema está no fundamento da guerra contra as ‘fake news’ não no alvo em si. Mesmo sites de péssima reputação, produtores de jornalismo da pior categoria não devem jamais ser censurados pelo Judiciário ou por qualquer outro Poder. O governo julgando se algo é ‘fake’ ou verdadeiro é por definição criar um Ministério Verdade, uma entidade com capacidade distópica de dizer o que a população pode acreditar ou manifestar.

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