Ao ser diplomado, Jair Bolsonaro deixou claro que pretende governar de forma participativa, trazendo o povo para dentro do governo, sem intermediários. Isto deixou o mundo político receoso, assim como a imprensa, entretanto, o presidente eleito apenas segue o mesmo caminho que sempre trilhou, ou seja, o contato direto com o povo, especialmente via redes sociais, sua estratégia vitoriosa de campanha.

A escolha da sua equipe já forneceu claramente estes sinais. Ao rejeitar acordos com partidos em troca de apoio no Parlamento, Bolsonaro está diante de um grande desafio: reformar por dentro, pelas práticas, o presidencialismo de coalizão, trazendo racionalidade na escolha dos ministros, rejeitando o fisiologismo, que se tornou marca registrada de todos os governos desde a redemocratização.

O presidente eleito preferiu optar por acordos, na formação do primeiro escalão, com frentes parlamentares transversais, que atravessam diversos partidos, convergindo em uma política comum. Ao negociar desta forma, tenta encontrar meios de estancar os gargalos da corrupção que nascia do acordo entre partidos e governo. Se irá funcionar, ainda é uma incógnita, mas Bolsonaro foi o primeiro presidente a enfrentar este problema de frente.

Estes pontos são fundamentais para entender o novo governo, que oferece a guinada pedida nas urnas pelo eleitor, uma mudança real na forma de fazer política e se comunicar com a população. Ao optar pelas redes sociais, Bolsonaro cria uma ligação direta, sem intermediários, entre o Planalto e povo, uma espécie de democracia participativa. Este movimento ganha muito impulso diante da revolta da população com os escândalos de corrupção que atingiu a confiança depositada nos políticos.

Esta ligação direta oferece ao governo uma forma inédita de criar a sua própria narrativa dos fatos, sem tornar-se refém da análise e das notícias divulgadas pela imprensa tradicional. O presidente americano Donald Trump usa este instrumento de forma eficiente e ao criar este método de ligação participativa, consegue comunicar de forma direta ao cidadão suas ações e versões dos fatos.

Estamos presenciando uma nova forma de fazer política, seja no Parlamento ou fora dele. Aqueles que duvidaram de Bolsonaro durante a campanha, foram surpreendidos por sua força e aderência de seu eleitor, exatamente aquilo que o conduziu a vitória, de forma semelhante à estratégia usada por Trump durante a campanha de 2016. Logo, antes de lançar dúvidas sobre esta nova forma de governar, é preciso entender até que ponto Bolsonaro conseguirá manter este contato direto com o povo proporcionado por sua campanha. Esta nova forma de encarar o jogo pode inclusive alterar as suas próprias regras.

A mensagem é quebrar os antigos vícios por meio de uma reinvenção do sistema, que ao invés de suprimir a democracia, acentua seus canais de participação, promovendo mais interatividade do governo com a população forçando a revisão de regras que propiciavam o surgimento da corrupção. Um ataque frontal às velhas práticas. Resta saber o potencial de força das antigas estruturas para lutar contra a renovação e esta forma de encarar o jogo parlamentar. Ao tomar o controle da narrativa, Bolsonaro pode encarar de frente o sistema amparado no apoio popular. A conferir. (Márcio Coimbra/Gazeta do Povo)

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