José Dirceu admitiu em entrevista à revista Istoé que a esquerda precisa aprender com os protestos populares contra Dilma Rousseff em 2016 se quiser voltar ao poder. Para um dos maiores líderes do PT, a resistência popular nas ruas se faz necessária agora. “Temos que apreender com os coxinhas. Organizar o povo e fazer o que eles fizeram, colocando nas ruas seis milhões de coxinhas ou de setores conservadores das classes médias que se opunham ao governo — o que é legítimo”. Dirceu diz que o país corre o risco de uma  “perigosa regressão de direitos sociais, cultural, em razão do fundamentalismo religioso e do falso moralismo” personificado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro.

Condenado há mais de 30 anos por corrupção, solto por uma controversa decisão do ministro Dias Toffoli, Dirceu disse a IstoÉ, que a corrupção é apenas um discurso da direita. Na entrevista, ele desmistificou o discurso da direita sobre corrupção: “A corrupção existe tão ou maior nas empresas privadas. Ela só existe por causa das empresas privadas.

Não houve governo que criou mais leis e instrumentos para combater a corrupção que os de Lula e Dilma. O problema da burocracia estatal e das corporações são os concursos, são planos de cargo e carreira. O pensamento de direita capturou esses órgãos, que passaram a fazer política partidária, quando eram órgãos que deveriam ser republicanos, diz o ex-ministro.

Talvez essa tenha sido a grande ilusão nossa. Porque alianças, concursos públicos e reestruturação de carreiras, tudo isso tínhamos que fazer, senão o Estado não funciona. O problema é que essas pequenas carreiras na Polícia Federal, Ministério Público, AGU, CGU, Receita, TCU sempre serviram aos poderosos. Elas se transformaram em superburocracias corporativistas, que querem autonomia do executivo, do legislativo, que querem controle. São pequenas corporações ditatoriais. Isso precisa ser resolvido no Brasil no futuro.

 

 

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