Antes tarde do que nunca. Até a ombudsman (profissional designada para fazer a crítica interna do jornal) da Folha de S. Paulo reconheceu a fragilidade da reportagem sobre o WhatsApp de Jair Bolsonaro:

“Avalio importante e necessária a reportagem sobre o impulsionamento ilegal em favor de Bolsonaro. É apuração difícil, que, com meandros obscuros a desvendar, abre um caminho rico a ser explorado. No entanto, entendo que o jornal falhou na forma narrativa de apresentá-la ao leitor.

A construção técnica do texto e dos enunciados — da primeira página e internos — poderia ser mais precisa e transparente. Faltaram detalhes que corroborassem as evidências, mesmo sem que fontes fossem reveladas. Essa fragilidade gerou dúvidas nos leitores. Serve de alerta. Obriga a Folha a não esmorecer nem dar por encerrada a investigação.”

A ‘denúncia’ da Folha, repetida histericamente por grandes veículos de comunicação, como a Rede Globo e outros jornais, replicada milhões de vezes nas redes sociais, é apontada como uma das responsáveis pela vitória de Bolsonaro não ter sido tão esmagadora quanto poderia ser. A admissão que a denúncia da Folha sobre ‘fake news’ da campanha do capitão era, ela mesma, uma enorme ‘fake news’, chega tarde para corrigir o estrago que produziu, mas vale para questionar o papel degradante, parcial e engajado, exercido pela mídia tradicional na última campanha.

Compartilhe:
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Sorry, comments are closed for this post.