O resultado não deveria ser surpresa para ninguém, o cheiro do pizza sendo assada no TSE estava tão intoxicante que tinha alcançado do Oiapoque ao Chuí. O que ninguém imaginaria era a grandiosidade do espetáculo deprimente que o Tribunal Superior Eleitoral apresentaria ao País. Com um corpo de provas enorme apresentado pelo Ministério Público, demonstrando de forma inequívoca que a campanha de Dilma a presidência de 2016, foi regada com dinheiro de propina, delações e planilhas da Odebrecht apontam para valores superiores a 150 milhões de dólares disponibilizados para eleger a ‘presidenta inocenta’, a cassação da chapa Dilma-Temer era a única decisão aceitável. E como a Justiça brasileira tende tão fortemente para a cama do inaceitável o resultado não podia ser mais óbvio: 4 a 3 contra a cassação de Temer, e a favor da volta  triunfante de Dilma para a política brasileira.

O julgamento como um homem com os bolsos demasiados pesados, foi tropeçando pela semana, apresentando a cada dia uma situação mais patética do que a do dia anterior. O TSE decidiu desconsiderar pedido do MP para declarar o impedimento do ministro Admar Gonzaga, um daqueles ministros que mais se destacou pela veemência com exigia que a ‘presidenta Dilma’ fosse liberada para poder se candidatar ao congresso, desconsiderando completamente um documento misterioso conhecido como Constituição Federal brasileira, que explicitamente determina que o impeachment do presidente resulta invariavelmente na cassação dos seus direitos políticos. O pedido do MP se baseia no fato de o ministro Admar Gonzaga ter sido advogado do PT justamente durante a campanha de 2016, pago, provavelmente com os mesmo dinheiro sujo que a Odebrecht e outras empresas deram ao partido.

Outro evento que casou choque aos amantes do teatro do absurdo, foi quando Napoleão Maia tomou o púlpito do Tribunal para fazer um monologo contra a liberdade de expressão, com direito a decapitações islâmicas e tudo. O motivo teria sido um post do Antagonista, no qual o site noticiou que um ‘homem misterioso’  foi barrado tentando entrar no TSE com um envelope. Segundo o Ministro Napoleão, o homem era seu filho, carregando no envelope “fotos de família” , e a mera existência da notícia um absurdo imperdoável que só poderia ser resolvido com o imediato cerceamento da liberdade de expressão.

Por fim o Brasil foi tratado a uma nova apresentação do “Supremo”. Arquirrival do juiz Sergio Moro, o Ministro Gilmar Mendes vem se declarando como contrário as prisões preventivas usadas pela Operação Lava Jato para prender alguns dos agentes mais corruptos e corruptores do país e sem a qual o progresso no combate a corrupção liderado por Moro jamais seriam possíveis. Um dos responsáveis por soltar José Dirceu, Mendes, fez na ocasião a um discurso atacando Moro e se declarando “Supremo”. E  assim, novamente, o país teve que se segurar nos assentos enquanto o “Supremo” babava de ódio dessa vez contra o Ministério Público: “Não se combate crime cometendo crime. É igualmente criminoso o policial, o procurador, o delegado, que usa de truque para obter resultados no combate ao crime” sugerindo explicitamente que no caso, criminosa seria a operação Lava Jato.

Mesmo para quem esperava o resultado anunciado, é difícil não ficar estarrecido com o ‘maior espetáculo da terra’…..

 

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One Response to Julgamento vira circo: o juiz advogado do PT, o homem do envelope e aquele que baba de ódio

  1. Mais uma vergonha histórica para Brasil.
    No fim sempre acaba sendo apenas uma questão de tempo.