G1 – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu na pesquisa espontânea do Ibope, de 28% para 22%, o que vai gerar preocupação na cúpula petista porque o recuo pode representar perda de apoio no momento em que o eleitorado começa a se conectar mais com a eleição. Se essa queda se mantiver nas próximas pesquisas e até aumentar, o potencial de transferência de votos do ex-presidente para Fernando Haddad também pode ser afetado.

A senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, tenta conter os sinais de pânico após a divulgação dessa pesquisa garantindo que o PT já está no segundo turno e que Lula, de dentro da cadeia, terá poderes para eleger seu candidato. Entre os petistas essa certeza não é tão grande. O receio de que o poder de fogo de Lula esteja minguando é grande.

Lula não foi testado na pesquisa estimulada, porque teve seu registro indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas seu nome aparece na pesquisa espontânea, quando o entrevistado é questionado, sem apresentação de nomes, em quem ele votaria para Presidência da República. Na última pesquisa Ibope, de 20 de agosto, Lula registrava 28%. Agora, tem 22%.

Jair Bolsonaro oscilou positivamente dois pontos. Passou de 15% para 17%, repetindo o mesmo movimento na pesquisa estimulada, na qual passou de 20% para 22%. Ciro Gomes dobrou sua pontuação na espontânea, passando de 2% para 4%. Marina também registrou alta de 1% para 3%. Alckmin, de 2% para 3%. Todos, na verdade, oscilando dentro da margem de erro. Lula, porém, registra queda efetiva de seis pontos.

O recuo nas intenções de votos espontâneas conferidas a Lula vai reforçar o discurso da ala petista que defendia a troca imediata de candidatura de Lula por Haddad. Mas isso só deve acontecer de fato na próxima segunda-feira (10), um dia antes do prazo final determinado pelo TSE ao partido. O temor desta ala é que a demora na troca possa dificultar o trabalho de transferência de votos do ex-presidente para o ex-prefeito de São Paulo.

Na pesquisa Ibope, Haddad ainda não herda os votos de Lula na proporção esperada pelo PT. As intenções de votos do ex-presidente acabam sendo distribuídas para quase todos os principais candidatos. Ciro é o principal beneficiado, com crescimento mais acentuado no Nordeste, onde o petista tem muita força eleitoral. Mas Alckmin também sobe. Marina fica estacionada nos 12%, mesmo percentual atingido por Ciro.

Na campanha tucana, a subida de Alckmin foi vista como reflexo do início da propaganda eleitoral. A expectativa, dentro da campanha do PSDB, é que ele cresça mais. Se isso não acontecer, o tucano pode ser vítima do voto útil na definição do eleitorado em quem votar na reta final do primeiro turno. Afinal, hoje três candidatos estão embolados atrás de Bolsonaro: Marina (12%), Ciro (12%) e Alckmin (9%). 

 

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