A bancada de Jair Bolsonaro é pequena. Hoje com a eminência de vitória do candidato do PSL, talvez até em primeiro turno, houve uma debandada de parlamentares para seu lado. Mas a grande maioria deles fez oposição ao candidato no início de sua candidatura, a mudança foi, para a maioria, questão de oportunismo político. A bancada de candidatos que apoiou Bolsonaro desde o início do processo eleitoral é minúscula, 8 parlamentares do Congresso Nacional e mais alguns poucos candidatos pelos Estados ao redor do país. Agora, com a ascensão do movimento para colocar Bolsonaro na Presidência, muitos desses candidatos raiz, ganharam prestígio por terem escolhido o candidato certo – aquele que o Brasil queria – desde o início.

Um desses candidatos é Rodrigo Reis, que está disputando uma vaga para o Senado no estado do Paraná. Rodrigo Reis tem uma suplente de prestígio, Rafaela Pilagallo, a  ativista que fez parte dos movimentos pelo impeachment de Dilma desde 2014, participou 2016 da luta para aprovar as 10 Medidas Contra a Corrupção e ficou famosa por sua defesa ferrenha da Lava Jato e como fundadora do movimento de rua da ‘Republica de Curitiba’, o Mais Brasil Eu Acredito, que, por sua vez, é conhecido no Brasil inteiro por sua deslumbrante bandeira de 50 metros da Lava Jato. Uma marca registrada das passeatas de Curitiba.

Segue a entrevista que Rafaela Pilagallo, que ficou conhecida como a Musa da Lava Jato, deu ao blog as vésperas do pleito do dia 7 e faltando poucas horas para a passeata por Bolsonaro que saí na manhã deste sábado (6) do Parque Barigui em Curitiba:

1 – Porque você entrou no ativismo político?

Rafaela – “Tudo começou com a vitória de Dilma em 2014, todos acreditavam que o Aécio iria ganhar pela mobilização nas redes, quando ele perdeu sentia que não conseguiria mais viver no Brasil. Pensei até em fechar minha empresa e ir morar no exterior. Dilma havia mascarado os índices da economia através das pedaladas fiscais, quando a economia começou a se desfazer surgiram as primeiras manifestações contra Dilma e eu fui fazer minha parte. A primeira foi na praça Santos Andrade, no dia 15 de novembro de 2014, já pedindo o Impeachment, eu estava lá. Conheci pessoas no movimento que pensavam como eu e decidimos nós encontrar, todo o sábado, para pedir o impeachment. No início eram poucas pessoas, 20, contadas nos dedos. Alguns anos depois foram 200 mil, a maior manifestação da história de Curitiba superando as Diretas Já.

“No início eram poucas pessoas, 20, contadas nos dedos. Alguns anos depois foram 200 mil, a maior manifestação da história de Curitiba superando as Diretas Já.”

Em 2015, os movimentos de rua começaram atuar em Brasília para fazer pressão sobre os políticos. Fui participar, viajei para Brasília e fiquei em estado de choque: não havia oposição. Brasília pertencia ao PT. Conversando com deputados recebi um pedido surpreendente, “um pedido de ajuda. Me falaram que Dilma só cairia com o povo na rua, mas que era muito difícil porque movimentos de rua não fazem parte do cotidiano brasileiro. Voltei para casa pensando: ‘se o Brasil precisa de mim… estamos ralados, eu não sou ninguém”.

“Deputados pediram minha ajuda e eu pensei: estamos ralados, eu não sou ninguém”

Tudo mudou em maio de 2015 com a prisão de Marcelo Odebrecht. A Lava Jato ganhou ainda mais projeção nacional e a pressão do PT para acabar com a Operação da PF se tornou enorme.  Decidimos que Curitiba, como a capital da Lava Jato, precisava de seu movimento. Naquela semana criamos o Mais Brasil Eu Acredito. O Mais Brasil Eu acredito surgiu para defender a Lava Jato.

2 – Porque você decidiu entrar na política partidária?

As ruas começaram a perder força após atingirmos o impeachment, continuamos fazendo passeatas constantes em defesa da Lava Jato que estava sempre sob ameaça, mas os números eram cada vez menores. Sabia que se quisemos continuar e levarmos nossas pautas para frente um dia teríamos que entrar na política. Outra experiência que me mostrou a importância de representar nosso movimento na política forram as 10 Medidas Contra Corrupção. Fiz parte de todo o processo lutamos muito para conseguir as assinaturas e o apoio de figuras publicas, levamos o projeto até Brasília, porém quando chegamos lá fomos pegos de surpresa. Não conhecíamos as engrenagens do congresso e como os parlamentares do nosso lado eram poucos As Dez Medidas foram devoradas por hienas raivosas…

Apesar de ter sido convidada diversas vezes por vários partidos para me filiar, a princípio não queria, não havia preparado minha vida, como muitos ativistas fizeram, os que já começaram ha anos a fazer  campanha. Nunca tive vontade de ser deputada ou algo assim, simplesmente não fazia parte do meu projeto de vida, mas no dia em que o juiz Sérgio Moro decretou a prisão de Lula me filiei ao partido do General Mourão, o PRTB, sabia que tinha muito ainda por vir e senti que havia recebido o chamado para fazer minha parte.

“Nunca tive vontade de ser deputada ou algo assim, simplesmente não fazia parte do meu projeto de vida, mas no dia em que o juiz Sérgio Moro decretou a prisão de Lula me filiei ao partido do General Mourão”

3 –  Bolsonaro está ganhando a campanha mesmo com pouca base partidária, por que Bolsonaro precisa ter base no Congresso será importante?

A esquerda já prepara o impeachment de Bolsonaro. Eu estive nas ruas, inclusive me infiltrei no movimento #Elenão e vi o ódio que essas pessoas têm. Tenho experiência participei anos dos movimento contra a Dilma, mas mesmo vivendo sob o horroroso governo petista nunca vi os movimentos da direita terem esse tipo de ódio. Por isso, digo que mesmo sem haver qualquer motivo, vão tentar o impeachment de Bolsonaro, desde o início, o capitão precisara de base no Congresso para se proteger de novas facadas da esquerda.

“O capitão precisara de base no Congresso para se proteger de novas facadas da esquerda.”

4 – Qual foi a recepção do público a vocês como únicos candidatos do Bolsonaro ao Senado no Paraná?

No início foi muito difícil. São 8 segundos de TV, é muito difícil mostrar ao público sequer que Bolsonaro tem um candidato para o Senado. Um episódio marcante foi quando uma senhora me procurou e me disse que viu o Rodrigo na TV mas não conseguiu anotar o número, eu pensei: ‘claro com 8 segundos de TV é difícil sequer passar o número para o povo’, então passei para ela o nosso panfleto e com o um sorriso ela me disse: ‘vou divulgar para todo mundo’, isso me moveu, mostrou que o público estava pronto para nos aceitar, mas precisávamos fazer nossa parte. Fizemos. Foi sem dinheiro, sem tempo de TV, crescemos através das carreatas das redes sociais, através da boca do povo. Foi impressionante, algo que era impossível no passado sem tempo de TV e dinheiro, um crescimento orgânico. É o efeito Bolsonaro: o fim das campanhas milionárias o surgimento da política limpa.

“Foi impressionante, algo que era impossível no passado sem tempo de TV e dinheiro, um crescimento orgânico.”

5 – O senadores do Paraná, Gleisi Hoffmann e Roberto Requião, são infames, conhecidos como os piores Senadores co Brasil, por terem inclusive votado diversas vezes contra projetos que trariam dinheiro para o estado. No Senado como se daria a atuação de vocês?

Costumo dizer que antes de sermos os candidatos ao Senado pró-Bolsonaro somos os candidatos pró-Paraná. O que a Gleisi (Hoffmann) e o (Roberto) Requião fizeram é repulsivo, só 11% dos impostos que o nosso estado manda  para Brasília voltam. Em grande parte por culpa da atuação desses senadores. O Paraná perdeu muito nesses anos, quando ganharmos iremos representar não só o Bolsonaro mas cumpriremos nossa missão como representantes do estado.

“O Paraná perdeu muito nesses anos, quando ganharmos iremos representar não só o Bolsonaro mas cumpriremos nossa missão como representantes do estado.”

(Entrevista realizado por César Weis)

 

 

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