A deputada estadual eleita pelo PSL em Santa Catarina, Ana Caroline Campagnolo, levantou alto a bandeira do programa escola sem partido, dando, finalmente, uma ferramenta para que pais e alunos combatessem a doutrinação nas escolas e universidades brasileiras. Essa campanha nobre foi interrompida por liminar canetada pelo juiz Giuliano Ziembowicz, da Vara da Infância e da Juventude de Florianópolis, em nome do “pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas”.  Isso mesmo para o douto juiz as escolas tem o direito de pluralismo de meios doutrinar nossas crianças. Desde que esse pluralismo seja de esquerda. A decisão está a um passo de tirar os filhos dos país e dá-las ao estado. O que o juiz não sabe, ainda, é que está tentando remar contra o ciclo da história.

O ‘ciclo da história’ é, em linhas gerais, uma  teoria fenomenológica da história humana, desenvolvida, nas mais diversa variantes, por historiadores perspicazes o suficiente para descartar a teoria linear de desenvolvimento histórico em direção a uma utopia marxista. Por incrível que pareça, a maioria daqueles que vivem nas prisões mentais das torres de marfim brasileiras ainda acreditam que estamos presos em trilhos, em um veiculo cujo motor é a luta de classes, sempre se movendo para a esquerda.

Notei a predominância dessa visão tosca quando em 2013, o primeiro ciclo de grandes manifestações tomou as ruas do Brasil. Na Universidade Federal do Paraná havia uma certeza inquestionável: era uma rebelião proletária. A esquerda está há 200 anos esperando pela rebelião do proletariado que eles dizem representar, então não é de se surpreender que no meio do movimento amorfo que então tomava as ruas a esquerdalhada enxergasse delirante seus sonhos se tornando realidade. Ironicamente o movimento de 2013 foi a semente inicial que floresceu nas ruas em 2016 com o povo exigindo o fim do desgoverno Dilma e em 2018, com as ruas dessa vez pedindo Bolsonaro na Presidência.

A esquerda em toda sua sabedoria foi completamente cega para o movimento que resultaria na sua derrocada, não faltavam pistas: os primeiros protestos foram na cidade de São Paulo, desgovernada pelo então prefeito Fernando Haddad, do PT, havia coro de gritos por ‘fora Dilma’, protestava-se os gastos da Copa e Olimpíadas trazidas pelo PT e posteriormente vaias nos estádios contra a ‘presidenta’ viraram ocorrência comum. Foram cegos justamente por acreditar na insana visão marxista,  em uma história ‘sem retrocessos’ para a esquerda. Como sempre estavam errados. Felizmente esse erro da esquerda no Brasil não custou dezenas de milhões de vidas como na URSS e na China entre outra proto-utopias esquerdistas incapazes de ‘retrocesso’.

Essa visão míope da história também explica a reação excruciante e incrédula diante do avanço da direita. Reação de desespero que se repete ao redor do mundo, seja com a eleição de Trump nos EUA, de Bolsonaro no Brasil ou com o Brexit na Inglaterra. Em resumo: como a esquerda não acredita em ‘retrocesso’ ela nunca está pronta para lidar com eles. E os ‘retrocessos’ estão vindo a cavalo, em companhia e bem armados. Ao redor do mundo a direita vai atropelar tudo que vê pela frente e não vai ter chororô que resolva.

Maior será nossa vitória devido, justamente, a esse despreparo da esquerda, que desconhece os ciclos da história. A a roda da história está sempre girando, por muito tempo em direção da esquerda, agora o pêndulo inverteu. As vitórias estrondosas da direita ao redor do mundo não aconteceram devido a circunstâncias locais, como prega a mídia, elas ocorrem apesar delas. A mídia, os partidos, a ‘cultura’, o dinheiro, invariavelmente a direita foi bombardeada com todas as armas do sistema, mas ela continua a ganhar terreno globalmente. Onde a direita não está no poder ela está crescendo, e para os estudiosos do ciclo da história uma coisa é clara: isso não vai mudar tão cedo. São necessários ocorrências de magnitude cósmicas para inverter a direção da roda da história, o surgimento da internet foi o último evento com essa capacidade e como a esquerda nem sequer foi capaz de compreender a realidade precária de sua situação, desconfio que vão ter dificuldade em gerar sua própria salvação ou mesmo aproveita-la caso o universo a jogue a oportunidade no seu colo como fez com a direita que rapidamente tomou posse da internet.

O programa Escola sem Partido faz parte desse movimento de resposta histórica, por décadas a esquerda infiltrou as instituições de ensino ao redor do mundo, chegou a hora do contrapeso. Em sua arrogância e desconhecimento fenomenológico a esquerda acredita que pode parar a luta contra a doutrinação com uma canetada, nem preciso dizer que eles estão errados. A inciativa da deputada Campagnolo foi, temporariamente e injustamente, parada. Existe muito jogo jurídico pela frente, mas mesmo que o Supremo Tribunal Federal por unanimidade decida referendar a trapalhada do juiz eu não estou preocupado. O Supremo inteiro vai estar debaixo da terra antes que o Escola sem Partido, ou seu sucessor espiritual, perca força. Em outras palavras não vão parar a luta contra a lavagem cerebral da esquerda nem com a caneta de uma juiz nem com a caneta de mil juízes, a história não se submete a instrumentos tão frágeis.

 

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