A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (1º) a que pode ser a mais explosiva etapa da Operação Lava Jato. Foram cumpridos dois mandados de prisão temporária –do empresário e dono do “Diário do Grande ABC” Ronan Maria Pinto e do ex-secretário-nacional do Partido dos Trabalhadores Silvio Pereira– e dois de condução coercitiva – ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e do jornalista e diretor editorial do site “Opera Mundi” Breno Altman, as informações são da Folha de S. Paulo.

A nova fase da Lava Jato pode ser a mais explosiva de todas porque envolve o comando do PT no assassinato do prefeito petista de Santo André, Celso Daniel, em 2002. Desde sempre existiam suspeitas que a morte misteriosa do prefeito era uma queima de arquivo, para ocultar um esquema de pixulecos na prefeitura da cidade. O fantasma do prefeito Celso Daniel persegue o PT como um cadáver insepulto em busca de Justiça. A nova fase da Lava Jato pode colocar um ponto final neste mistério.

Delúbio, que chegou à sede da Polícia Federal por volta das 8h20, teve sua pena no Mensalão pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em março. O petista foi condenado a 6 anos e 8 meses de prisão, mas desde setembro do ano passado recebeu o direito à prisão domiciliar.

O lobista Fernando Antonio Guimarães Hourneaux de Moura afirmou, em depoimento à Lava Jato, em janeiro, ter sido informado que Silvio Pereira recebia R$ 50 mil “em dinheiro vivo” como “um cala-boca”, ou seja, um dinheiro que garantiria seu silêncio a respeito de irregularidades, de duas empreiteiras sob investigação, a OAS e a UTC Engenharia.

Em depoimento à força-tarefa da Lava Jato em outubro de 2014, o doleiro Alberto Youssef levantou a suspeita de que Breno Altman seja um dos envolvidos em uma operação para calar um chantagista que poderia fazer novas revelações sobre o caso Celso Daniel.

‘CARBONO 14’

A 27ª fase, denominada de “Carbono 14”, investiga crimes de extorsão, falsidade ideológica, fraude, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Ao todo, a PF cumpre 12 ordens judiciais, sendo oito mandados de busca e apreensão, dois de prisão temporária e dois de condução coercitiva. As medidas estão sendo cumpridas nos municípios paulistas de São Paulo, Carapicuíba, Osasco e Santo André. As diligências também estão sendo realizadas na empresa de ônibus controlada por Ronan, a “Expresso Nova Santo André”, e a empresa DNP eventos, em Osasco.

Segundo o Ministério Público Federal, a operação investiga um suposto esquema de lavagem de capitais de cerca de R$ 6 milhões provenientes de gestão fraudulenta no Banco Schahin, cujo rombo foi coberto depois pela Petrobras.

“Constatou-se que José Carlos Bumlai [empresário amigo do ex-presidente Lula] contraiu um empréstimo fraudulento junto ao Banco Schahin em outubro de 2004 no montante de R$ 12 milhões. O mútuo, na realidade, tinha por finalidade a ‘quitação’ de dívidas do Partido dos Trabalhadores (PT) e foi pago por intermédio da contratação fraudulenta da Schahin como operadora do navio-sonda Vitória 10.000, pela Petrobras, em 2009, ao custo de US$ 1,6 bilhão”, informou a Procuradoria.

 

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