O jornalista Marcelo Coelho, da Folha de S. Paulo, escreveu um artigo “O livro proibido de Jair Bolsonaro”. Sua ideia era demonstrar, com pontos de vistas liberais e sofisticados, que o candidato do PSL a Presidência do PSL, Bolsonaro é um puritano digno de pena. Ele se dá mal, no entanto, quando, a certa altura, admite que o livro citado pelo candidato no Jornal Nacional passa da conta.

“Eu também não acharia adequado se, num livro para crianças de nove anos, fosse ensinada a conveniência de se usar lubrificante para a prática do sexo anal”, reconhece. E prossegue: “Pensando bem, por que não? Minha resposta seria vaga: “Aí também é demais”. Mas deixo o assunto de lado”. Confira um trecho:

“É preciso seguir o combinado, e os apresentadores do Jornal Nacionalnão tiveram alternativa durante a entrevista que fizeram com Jair Bolsonaro.

O candidato do PSL queria exibir às câmeras o conteúdo de um livro que, a seu ver, não poderia de modo nenhum ser visto por crianças. Avisou aos espectadores do programa que deveriam tirar os filhos da sala.

“Aparelho Sexual e Cia.”, da francesa Hélène Bruller, com ilustrações de Zep (Companhia das Letras), seria uma daquelas cartilhas que, a exemplo do famoso “kit gay”, terminariam destruindo as bases da família tradicional e estimulando meninos e meninas de seis anos a graves sem-vergonhices.

As regras da entrevista impediam o candidato de mostrar textos e documentos supostamente “provando” o que ele diz, e assim o livro ficou sem ser visto. Como em toda pornografia e em toda paranoia, a imaginação do espectador termina certamente produzindo fantasmas, sonhos e ameaças mais intensas do que a verdade dos fatos.

Claro que a capacidade de se chocar com coisas de sexo varia conforme a cabeça de cada um.

Muitas ilustrações podem ser impactantes para quem mal sabe como nascem os bebês. Mesmo adultos podem se assustar com cenas de parto.

Eu também não acharia adequado se, num livro para crianças de nove anos, fosse ensinada a conveniência de se usar lubrificante para a prática do sexo anal.

Pensando bem, por que não? Minha resposta seria vaga: “Aí também é demais”. Mas deixo o assunto de lado.”

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