Engana-se quem diz que o PT não fez autocrítica pelos erros cometidos durante os 13 anos em que comandou o governo federal. Foi publicada tão logo o Senado decretou o afastamento provisório de Dilma Rousseff, em maio de 2016.

No documento a cúpula do partido expressa arrependimento por não ter logrado, da chefia do Executivo, “impedir a sabotagem conservadora das estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal”.

Nas Forças Armadas, de acordo com o exame de consciência do PT, o governo falhou ao não alterar “os currículos das academias militares” e ao não promover “oficiais com compromisso democrático e nacionalista”.

Uma forcinha semelhante, para “fortalecer a ala mais avançada”, ficou faltando também no Itamaraty. Além disso, segue a autocrítica, os governos petistas distribuíram verba publicitária demais para “os monopólios da informação”.

Tradução do companheirês para o português: que pena não termos instrumentalizado a cabeça de algumas carreiras típicas do Estado, incluindo o alto generalato; que pena não termos cevado mais a mídia chapa branca.

Muita gente preocupada com manifestações autoritárias do bolsonarismo se esquece de que o petismo também acena para o lado de lá da fronteira. Vamos estabelecer uma pontuação para ver quem se sai pior no concurso de bobagens?

A democracia permite aos partidos pregar as asneiras mais coruscantes. Permite que falem, mas impede que no poder pratiquem o que possa corroer os pilares do regime.

É inútil fiar-se no leque de bravatas dos presidenciáveis para especular se a democracia estará mais ameaçada com um ou outro. O mais íntegro dos homens se tornará um tirano na ausência de controles fortes e autônomos do poder.

É esse sistema de pesos e contrapesos que importa. Ele tem se mostrado hígido no Brasil e está preparado para lidar com o veredicto das urnas, seja qual for. (Vinicius Mota – Folha de S. Paulo – 24/09/2018)

 

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