Ao tomar posse na Prefeitura de São Paulo em 2013, Fernando Haddad (PT) afirmou que a saúde seria uma das prioridades da sua administração e que iria colocar a cidade “na vanguarda do serviço público de qualidade”.

Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Município após o término da gestão, no entanto, mostra que o hoje candidato a presidente não conseguiu cumprir 9 das 10 metas de governo que havia prometido para o setor da saúde na capital paulista.

Haddad, por exemplo, prometeu inaugurar três hospitais (Parelheiros, Brasilândia e Vila Matilde), mas, segundo a auditoria, não entregou nenhum deles, sendo que apenas 50% dos trabalhos previstos foram realizados.

Também afirmou que reformaria e melhoraria 20 prontos-socorros, usando como modelo conceitual as Unidades de Pronto Atendimento, além de implantar 5 novas Upas. Segundo relatório técnico do TCM, realizado entre fevereiro e março de 2017, o prefeito petista cumpriu apenas 22,5% dessa meta.

O cálculo sobre cumprimento das metas considera não apenas os projetos concluídos, mas também tudo o que foi feito naqueles que ainda estavam em construção. É o chamado “acompanhamento qualitativo das metas”.

De acordo com a auditoria, o único objetivo efetivamente cumprido por Haddad foi o de implantar 12 novos consultórios de rua com tratamentos odontológicos e relacionados ao abuso de álcool e outras drogas.

Mesmo assim, os técnicos do tribunal ressalvam no documento que o projeto foi concluído antes da divulgação do Plano de Metas.

O melhor índice de cumprimento foi o de desenvolver o processo de inclusão do modelo de prontuário eletrônico na rede municipal de saúde. Segundo a auditoria, Haddad atingiu 92,5%.

Obrigatório por lei, o Plano de Metas foi divulgado por Haddad em outubro de 2013, mais de nove meses depois da posse. Um texto preliminar havia sido lançado em março daquele ano e discutido em 35 audiências públicas.

Ao final do governo, Haddad divulgou um balanço no Diário Oficial no qual afirmou que cumpriu 82,3% dos objetivos estabelecidos, considerando todas as áreas. 

Os números da saúde, porém, destoam dos apontados pelos auditores do TCM.

Haddad, por exemplo, disse que cumpriu 32% da meta de construir e instalar 30 centros de atendimento psicossocial.

“A meta não foi concluída em virtude do cenário de restrição orçamentária”, justificou a administração, à época. Para o TCM, contudo, a taxa de cumprimento foi ainda menor, de apenas 14,5%. 

A diferença de entendimento entre o que Haddad diz ter feito e o que o TCM considera como tal se repete em praticamente todas as tarefas.

“A divergência ocorreu devido a alterações nos projetos inicialmente propostos, sem a devida justificativa e publicação”, afirma o tribunal.  (Folha de S. Paulo)

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