Candidato do PT à Presidência da República e preposto de Lula na corrida ao Palácio do Planalto, o “companheiro” Fernando Haddad, além dos problemas inerentes às campanhas candidaturas, tem de lidar com uma série de quizilas que surgem por todos os lados da campanha.

Professor universitário com carisma questionável, Haddad precisa substituir o condenado e preso Lula e convencer o eleitorado de que será capaz de devolver ao País, em recessão preocupante e desemprego em alta, a bonança dos tempos da explosão dos preços das commodities e das contas em dia herdadas de FHC.

Para complicar, Fernando Haddad precisa driblar aliados que não o aceitam e ousam dar ordens em sua campanha. O principal do presidenciável petista tem nome e sobrenome: Gleisi Helena Hoffmann, registra o jornal Gazeta do Povo, confirmando o que antecipou o UCHO.INFO em diversas matérias.

“O cerne desse problema é a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que além de não se dar muito com o ex-prefeito, quer concentrar as decisões, em geral radicais, opostas ao que acredita o agora candidato à Presidência da República pelo partido”, diz o jornal. Haddad teme ser engolido ela imagem de Lula se transformando em um “não ser”. E é exatamente isso que Gleisi deseja.

Gleisi e Haddad tiveram o mais grave embate na terça-feira (11), em reunião do partido, quando ela afirmou que o PT deveria descumprir a decisão judicial e não substituir Lula pelo ex-prefeito paulistano. Ao que ele, surpreendentemente, respondeu discordando. Desde então, cada um segue o seu caminho dentro da legenda, mas o clima é evidente cizânia.

As dificuldades enfrentadas por Haddad não são novas para ele. Filiado ao PT desde 1989, pouco participou da vida partidária com afinco. Não é um petista “orgânico”, como se diz nos escaninhos do partido. A derrota na reeleição à Prefeitura de São Paulo em 2016 para João Doria (PSDB) o desgastou ainda mais, ainda que sua gestão não tenha mergulhado no caos administrativo.

A grande dificuldade do PT é fazer um mea culpa, algo impensável em uma agremiação política movida pela soberba, exceto algumas raríssimas exceções. Haddad foi derrotado na eleição de 2016 porque naquele momento o sentimento anti-PT era devastador em todo o País, o que pode ser constatado nas urnas. Em número de prefeituras, o partido encolheu pouco mais de 60%, número assustador, se considerado o fato de que em um país continental a política se faz a partir dos municípios.

Por outro lado, o cabo de guerra protagonizado por Gleisi Hoffmann era esperado, pois a presidente nacional do PT sabe que uma eventual vitória de Haddad na corrida presidencial significará a perda do seu protagonismo no partido. Desde os tempos em que comandava a Casa Civil da Presidência, no governo Dilma, a ainda senadora Gleisi Hoffmann alimenta o sonho de chegar a principal gabinete do Palácio do Planalto. E Fernando Haddad interrompeu esse sonho.

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