Sergio Moro levou ao ventilador trechos da delação-companheira de Antonio Palocci. Alegou razões processuais. Mas a defesa de Lula, como de hábito, enxergou no gesto o “objetivo de tentar causar efeitos políticos para Lula e seus aliados”. Algo que “apenas reforça o caráter político dos processos e da condenação injusta imposta ao ex-presidente Lula.”

Lula pode alegar que a exposição do destampatório de Palocci em plena temporada eleitoral tenha o efeito de uma cotovelada. Mesmo assim, o juiz da Lava Jato não fez nada que estivesse fora dos limites de sua competência. Problema houve quando Lula permitiu as delinquências que Palocci testemunhou e executou. Esquisitice haveria se o eleitor fosse privado de conhecer os podres.

Os defensores de Lula não reclamaram quando Moro congelou o processo sobre o sítio de Atibaia para evitar turbulências eleitorais. Pediram que os autos sobre o Instituto Lula também fosse levado ao freezer. Mas Moro alegou que a encrenca já se encontra naquela fase em que defesa e acusação precisam apresentar suas últimas alegações.

As insinuações endereçadas pela defesa ao juiz da Lava Jato flertam com o ridículo quando se considera que não haveria Palocci sem Lula. O agora delator foi homem forte dos governos do delatado. Czar da economia, operou parte da engrenagem que fez do PT uma máquina coletora de propinas. Fez isso com o consentimento do chefe.

Se quiser, o eleitor pode dar de ombros para as acusações de Palocci contra seus ex-companheiros. Mas o dono do voto tem o direito de conhecer o lodo que escapa dos lábios do ex-braço direito de Lula. A tentativa de impor o voto no escuro apenas piora um espetáculo que já é deprimente.

 

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