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A senadora Gleisi Helena Hoffmann (PT-PR), ré na Operação Lava-Jato por corrupção, alvo de novo outro inquérito aberto no STF, denunciada por delatores do Petrolão e na mira Operação Custo Brasil, corre o risco de acabar na prisão. Isso só não aconteceu até então por conta do mandato parlamentar, que lhe concede o direito a foro especial por prerrogativa de função e a mantém longe da carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

Para manter as garantias do foro privilegiado e ficar por mais algum tempo longe do cárcere, Gleisi aposta em mandato de deputada federal a partir de 2019. Ciente de que não conseguirá reeleger-se como senadora, a parlamentar petista acredita que as “viúvas do PT” lhe garantirão uma vaga na Câmara dos Deputados. Contudo, há quem veja nessa aposta um excesso injustificável de otimismo.

Ex-presidente da República e dramaturgo do Petrolão, Lula é o autor dessa estratégia quase suicida. Ele quer que os principais quadros do PT, ex-ministros, ex-governadores, ex-prefeitos, deixem seus projetos individuais de lado e se candidatem à Câmara dos Deputados com o objetivo de puxar votos para os demais nomes do partido. Entre os citados estão Fernando Haddad, Luiz Marinho, Eduardo Suplicy, Jaques Wagner, Lindbergh Farias, Tarso Genro, Olívio Dutra, Marcio Pochmann, José Guimarães, Ideli Salvatti, Gleisi Hoffmann, Patrus Ananias, Aloizio Mercadante e Humberto Costa, entre outros.

No Paraná o desconforto é grande, já que o próprio PT estima que a bancada a ser eleita em 2018 será reduzida a um ou dois parlamentares. Enio Verri e Zeca Dirceu, que atualmente cumprem mandato de deputado federal, esperam que Gleisi não concorra a uma vaga na Câmara. Temem que, após desmoralizar o partido com suas intervenções estabanadas no Senado, atrapalhe a reeleição dos companheiros.

Outro nome forte no petismo é de Jorge Samek, atual presidente da Itaipu Binacional, que passou incólume do desgaste do partido nos últimos anos. Samek deve ficar à frente da binacional até março de 2017 e pode concorrer, a pedido de Lula, a uma vaga na Câmara dos Deputados.

A possibilidade de o PT ter uma queda drástica no número de deputados tornou-se uma preocupação para Lula. Nas últimas semanas, o ex-metalúrgico manobrou para esvaziar ameaças de debandada vindas do “Muda PT”, grupo formado pelas cinco maiores correntes de esquerda do partido e que tem a maioria da bancada petista na Câmara.

O temor de Lula acentuou-se depois do fracasso histórico da legenda nas eleições municipais. Interlocutores do ex-presidente avaliam que o resultado de 2016 é apenas um sinal do que deve ocorrer em 2018. Alguns dirigentes petistas avaliam que a bancada na Câmara Federal, hoje com 58 deputados, pode ser reduzida a 20 nomes. Com isso, o PT perderia tempo na TV, verbas do fundo partidário e relevância nas principais discussões no Congresso.

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