Sob a liderança do Brasil, Grupo de Lima concorda com rompimento de relações com a Venezuela

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, no encontro de Lima: compromisso de prestar assistência aos migrantes venezuelanos – 04/01/2019 (Mariana Bazo/Reuters)

Como pressão para o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, não tomar posse de seu novo mandato no dia 10 de janeiro, o Grupo de Lima concordou com o possível rompimento de relações de seus membros com Caracas e com a imposição de sanções unilaterais contra autoridades venezuelanos, assim como já fazem os Estados Unidos.

Pela primeira vez, o Grupo de Lima se refere claramente ao regime da Venezuela como uma ditadura. A decisão sobre manter ou romper as relações caberá a cada país do grupo.

“(Os países do Grupo de Lima acordam em) reavaliar o status ou o nível de suas relações diplomáticas com a Venezuela, com base na restauração da democracia e da ordem constitucional naquele país, e a necessidade de proteger seus nacionais e seus interesses”, diz a declaração final assinada por o texto.

O governo brasileiro, representado no encontro de Lima pelo chanceler Ernesto Araújo, ainda não manifestou sua posição sobre a continuidade ou não das relações diplomáticas com a Venezuela.

Por meio do Twitter, Araújo limitou-se a celebrar a inclusão, na declaração final de Lima, da proposta brasileira de o Grupo de Lima pedir a Maduro que não assuma seu novo mandato de seis anos, respeite as competências da Assembleia Nacional e a transmitir ao Legislativo o exercício do Poder executivo até que novas eleições sejam realizadas.

Apesar da retórica do governo de Jair Bolsonaro contra as ditaduras de esquerda da região e da tentativa de sedução dos Estados Unidos a posições mais duras dos vizinhos sul-americanos contra a Venezuela, o Brasil tem uma situação particularmente complicada nesse caso. Os dois países têm 2.200 quilômetros de fronteira seca, enfrentam epidemias nessa região, e Roraima depende da energia elétrica exportada pela Venezuela.

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