Por Josias de Souza

Em entrevista à BBC, o ministro Gilmar Mendes declarou que a eventual anulação da sentença do caso do tríplex do Guarujá pode atrasar o relógio dos processos em que Lula foi condenado à fase anterior à aceitação das denúncias. O que o ministro afirmou, com outras palavras, foi mais ou menos o seguinte: o Supremo Tribunal Federal cogita cometer a temeridade de lavar a ficha suja de Lula, restaurando seus direitos políticos e devolvendo-lhe a condição de disputar novamente a Presidência da República em 2022.

Caberá à Segunda Turma do Supremo decidir, até o final de novembro, se Sergio Moro foi ou não parcial ao condenar Lula. A decisão está nas mãos do ministro Celso de Mello. A previsão no Supremo é que Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski votarão a favor de Lula. Cármen Lúcia e Edson Fachin já votaram contra. Imagina-se no Supremo que Celso de Mello pode desempatar a favor de Lula. E a sentença do caso do tríplex seria anulada.

Os processos sobre sítio de Atibaia e sobre o Instituto Lula subiriam no telhado. É preciso ser claro: o que está em jogo é a anulação não de uma sentença de Moro, mas um veredicto confirmado por desembargadores no TRF-4 e por ministros no Superior Tribunal de Justiça, o STJ. O pretexto para a anulação são mensagens roubadas de celulares que contém diálogos inadequados entre o então juiz Sergio Moro e procuradores como Deltan Dallagnol. Mas não há nas mensagens nenhum vestígio de fabricação de provas.

Estamos falando de Lula. Abstraindo as condenações que agora se cogita anular, é preciso lembrar que foi com o beneplácito de Lula que o PT tornou-se a máquina coletora de propinas que converteu o Brasil numa cleptocracia que envergonha o país. Foi com o apoio de Lula que Dilma mergulhou o país na pior recessão de sua história. É esse personagem cuja ficha o Supremo deseja lavar valendo-se de pretextos precários.

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