A maioria dos jornalistas que entrevistaram o candidato Jair Bolsonaro (PSL) no programa Roda Viva, da TV Cultura, não havia nascido ou estava nas fraldas quando o jornalista Wladimir Herzog, militante do Partido Comunista Brasileiro, morreu nas dependências do DOI-CODI em 1975, 43 anos atrás. O mesmo acontece com a maioria dos brasileiros. No entanto, a morte de Herzog, se ele se matou ou foi morto, foi o tema dominante da entrevista do Roda Viva, com Bolsonaro inquirido por representantes de alguns dos mais importantes veículos do Brasil.

Bolsonaro, que é notório defensor do regime militar brasileiro (1964-1985), tirou de letra os questionamentos, e conseguiu deixar mal os jornalistas evidenciando que eles não questionam com a mesma veemência (na verdade não questionam de forma alguma), os excessos e as violências cometidas pela esquerda, a título de resistência a ditadura, durante o período. Citou diversos casos de violência cometidos por grupos ligados a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e a outros políticos de esquerda.

Obcecados em revolver antigas questões relativas ao regime militar, ou declarações desastradas de Bolsonaro sobre um ou outro tema da agenda politicamente correta, os jornalistas deixaram passar quase batido aquilo que é realmente relevante, como a questão do desemprego e a reforma da Previdência. Os jornalistas estão se encarregando de evidenciar que Bolsonaro é contra tratar bandido a pão-de-ló, abomina a ideologia de gênero e outros estrupícios que se constituem na agenda da “nova esquerda”, no que está sintonizado com a maioria da população brasileira. Bolsonaro, por causa dessa conspiração de burrice da imprensa brasileira, pode se eleger presidente sem que tenhamos uma ideia clara do que ele pretende fazer se eleito.

A obsessão dos jovens jornalistas com questões relativas ao regime militar e agendas esquerdistas pode ser explicada por um fato curioso: Ricardo Lessa, que assumiu o comando programa Roda Viva no lugar de Augusto Nunes, foi guerrilheiro nos anos 60. Participou de sequestro de cônsules e embaixadores para soltar companheiros presos. Um foi José Dirceu que, depois, foi para Cuba.

 

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