O doleiro Alberto Youssef e o ex-senador Delcídio Amaral serão ouvidos como testemunhas de acusação na ação penal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o seu marido e ex-ministro nas gestões Lula e Dilma, Paulo Bernardo. Eles integram o grupo de nove testemunhas de acusação contra o casal e o terceiro réu da ação penal, o empresário de Curitiba Ernesto Kugler Rodrigues. A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa os três de receber R$ 1 milhão do esquema de corrupção da Petrobras para aplicar na campanha eleitoral da petista ao Senado, no ano de 2010. As informações são de Catarina Scortecci na Gazeta do Povo.


Eles negam a acusação, que foi oferecida em maio do ano passado ao Judiciário pela PGR. Em setembro do mesmo ano, a Segunda Turma do STF acolheu a denúncia da PGR, por unanimidade, determinando a abertura da ação penal. A convocação das testemunhas para depor sobre o caso significa, na prática, o início efetivo do processo.

As testemunhas foram convocados pelo ministro Edson Fachin em despacho assinado no fim de março e começam a ser ouvidas no dia 5 de maio. Os primeiros a depor serão o ex-presidente do PP Pedro Corrêa, preso em Curitiba, e o advogado Antônio Carlos Brasil Fioravante Pierruccini, parceiro de negócios do doleiro Alberto Youssef.

Quase uma semana depois, em 11 de maio, será a vez do ex-senador Delcídio do Amaral. No dia seguinte, em 12 de maio, serão ouvidas mais três pessoas: Youssef; Rafael Ângulo Lopez, considerado o “braço direito” do doleiro; além de Ricardo Pessoa, da empresa UTC Engenharia S/A. Em 15 de maio, será a vez de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, e do lobista Fernando Baiano. O último a ser ouvido como testemunha de acusação, em 22 de maio, será Rogério Cunha de Oliveira, ex-diretor de Óleo e Gás da empreiteira Mendes Júnior.

Ainda não há data marcada para a oitiva das testemunhas de defesa. Os réus somente passam pelo interrogatório depois de todas as testemunhas serem ouvidas.

O CASO

A denúncia tem como ponto de partida relatos dos dois principais delatores da Lava Jato: o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef. Costa disse aos investigadores que autorizou a entrega de R$ 1 milhão para a campanha eleitoral de Gleisi a pedido de Paulo Bernardo.

Na denúncia, a PGR informa que Costa não se lembrava exatamente da situação – se tinha sido ou não uma solicitação feita diretamente a ele pelo marido da petista, que em 2010 era ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão. A PGR destaca, contudo, que Costa foi “seguro e categórico” ao afirmar que houve de fato o pagamento e que, de todo modo, o pedido teria partido de Paulo Bernardo.

Depois, um novo elemento ainda foi incluído pela PGR: uma agenda do ex-diretor da Petrobras apreendida no início da operação Lava Jato registrava as iniciais “PB” ao lado do número “0,1”. Costa esclareceu que o “código” significava “um milhão pago a Paulo Bernardo para a campanha eleitoral de Gleisi Hoffmann”.

O relato de Costa também foi corroborado pela delação do doleiro Alberto Youssef. Após admitir não se lembrar de detalhes – sua narrativa foi modificada mais de uma vez -, Youssef disse aos investigadores que entregou o dinheiro ao advogado Antonio Carlos Brasil Fioravante Pieruccini, que era parceiro de negócios do doleiro e hoje também colabora com a Lava Jato. Foi Pieruccini quem revelou detalhes aos investigadores do que teria sido a operação ilegal.

O advogado sustenta que pegou o dinheiro com Youssef, em São Paulo, e levou para Curitiba, entregando nas mãos do empresário Ernesto Kugler Rodrigues. Teriam sido quatro entregas de R$ 250 mil cada, em espécie. Pieruccini alega não se lembrar de todas as datas das entregas – apenas uma, em 3 de setembro de 2010 -, mas soube apontar todos os quatro locais onde ele teria se encontrado com o empresário. Rodrigues teria sido o responsável pela entrega do dinheiro à campanha eleitoral. (Gazeta do Povo)

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